sábado, 5 de março de 2011

Há uma vertigem!

Há uma vertigem
Entre as horas que passam e os dias sucessivos.
Caminho e não encontro nada, apenas um vácuo
que com a umidade da estrada me assusta.
Meus gritos são sons abafados,
e a terra seca convida sutilmente à uma cerimonia sigilosa.
E mais uma vez o labirinto...
Cansada de uma trajetória vã, insignificante,
tiro os sapatos, cada movimentos do despir
reconforta minha alma, meu corpo.
O sol que banha meu rosto devolve-me a energia,
profeticamente pronuncia que devo continuar a jornada.
Para onde? Para quê?
Esta estrada é muita longa para mim.
Somente heróis vencem batalhas tão difíceis,
eu sou perdedora, covarde.
Cada passo destemido foi mera ilusão,
uma embriaguez devastadora.
E em meio a estrada olho para atrás e acendo um cigarro.

Erica Dilá

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