terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Retalhos de decisão

  
Retalhos de decisão

A cada escolha há uma consequência
que se reveste de luz para encobrir a sombra
Uma palavra, um anseio e se decide...
uma jornada árdua em busca de um fim
Finalmente encontra na penumbra o sonho
tanto sonhado e idealizado
vivenciado é outro
Outra realidade que permite uma esperança
Espera-se a felicidade e a renúncia de uma única lágrima...
Quantas vezes se esperou no íntimo 
uma possibilidade de caminhos suaves e prósperos
meu peito apertado, minha pulsação acelerada revelam
o labirinto é tenebroso
E quem enfrenta o escuro no horizonte
supera a dor e a angústia com o temporal
é vencedor, é astuto, sábio e valente.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Na sociedade do espetáculo a linguagem é a protagonista.

Quando a notícia sangrenta se torna espetáculo ou o boato forma opinião pública não poderemos mais subestimar o poder da linguagem.
 Até aí, nenhuma novidade, já que  o próprio discurso midiático e o universo político herdaram estratégias de antigos imperadores romanos para manipularem a opinião de massa. São apenas releituras de acordo com o contexto atual.
O que se tem como nova empreitada do sistema que explora atividade humana é a alienação da própria linguagem como forma intensa de espetáculo, aderindo um espaço que se torna necessário o verbo e não a veracidade dele, nos apropriaremos da frase porque é ela que nos torna hoje sujeitos, cidadãos donos de opinião, mesmo que seja a inimiga da reflexão.
Esta mesma linguagem protagonista do espetáculo pode ter possibilidades construtivas, pode ser uma ferramenta para ser usada contra tudo isso. Espetáculo é espetáculo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A porta

foto: Daniel Queiroz

Aquela porta amarela por muitas vezes tentei abri-la.
Não sei porque a pintei assim.
Talvez sua cor de ouro trouxesse a mim uma impressão de mistério e desejo. Muitos objetos dourados causam esta sensação. Lembrei-me da lâmpada de Aladim que já remete ao desejo, tanto de Possuí-la, quanto de ser utilizada para realizar pedidos. Mas também causa mistério por ser um recurso mágico, pois não dá para saber o que de fato será encontrado ao pedir .
Pois bem, voltando a porta, com o tempo comecei a ignorar sua  presença, pensei em diversos artifícios para não tentar abri-la. Como dizem “Um vício só se cura com outro”, então comecei a abrir outras portas para amenizar minha curiosidade, isto me trouxe paz.
No escuro da noite o silêncio me revela que minha ansiedade ainda existe e aquela porta devo abri-la para enfrentar minha covardia e também minha curiosidade acumulada de muitos anos.
Me aproximei aos passos curtos e com ousadia em chegar ao destino, abri. Abri e não havia nada ali. Abri e eu não estava lá.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ao meu amigo Neto


Neto, meu camarada
Nosso amigo do peito
Sua longa estrada
Pela igualdade de direitos.
É da luta social
E contra a homofobia
Preconceito racial
Que acontecem todo dia.

Defende os direitos dos excluídos
Desde sua adolescência
Conscientiza os jovens
A derrotar a violência.

Quer melhorias para nossa cidade
Em Poá tem projetos
Habitação, educação e cultura
É o nosso amigo Neto.

domingo, 15 de maio de 2011

Gestação

Foto: Daniel Queiroz

Respiro, o mundo todo é vida!
Dentro e fora de mim
É só emoção e poesia.
Sinto que sou a terra, que sou a lua,
Sou a natureza desnuda.
E Todas a energias do universo
Estão dentro de mim, ritmadas,
Dançando ao som de dois corações.
Batimentos,
Sentimentos,
Nascimento,
 São dois corpos, um a germinar,
O outro a tear em plena harmonia.
Ambos ligados as sensações e pulsações
E nesta lúcida combinação, gera a vida.

Erica Dilá
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terça-feira, 8 de março de 2011

Monteiro Lobato, o intocável.

 
   Certa vez, sentada na cadeira da Universidade na aula  de Literatura Infanto-Juvenil, me encantava a cada página que virava do livro Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato, pensava com toda convicção que este autor era uma revolução para este tipo de literatura, porém, sem muito sucesso, fui a única da sala a questionar o tratamento racista dado a personagem Tia Anastácia, sendo alvo de insultos pela Boneca Emília.
Para muitos teóricos literários, a boneca Emília é a voz do autor com suas provocações e sua  independência de pensamento, logo, não é surpreendente que Lobato, além de retratar a realidade racista do Brasil, expusesse na voz  da boneca suas tendências racistas, já que conhecendo a biografia do autor suas convicções políticas eram conservadoras.
      Pode ser que  a obra de Monteiro Lobato tenha marcas racistas, preconceituosas, mas será que vetar o livro de grande importância literária nas escolas públicas  é a solução?
Para a  Academia Brasileira de Letras, “cabe aos professores orientar os alunos no desenvolvimento de uma leitura crítica”.
     Já para a militante do Movimento Negro do Distrito Federal, Marlene Lucas,“Tudo aquilo que agride a identidade das pessoas deve ser banido, seja de qual período for, independentemente da importância histórica e artística”, defende.
     É legitimo fazermos novas releituras diante aos clássicos literários, da mesma forma que os contos de fadas banhados por violência passaram por modificações de acordo com o tempo, as obras de Lobato precisa ser acessível aos leitores, mas nada impede de utilizarem notas de rodapé e avisos, afinal já fazem isto com tantos livros . Só não dá para velarmos e sustentarmos o preconceito sutil que já é uma característica da sociedade brasileira que nunca assumi seus problemas históricos e enxergarmos Monteiro como intocável.

domingo, 6 de março de 2011

Contos do escritor português Miguel Torga


Contos do escritor português Miguel Torga
A relação de criador e criatura.

    Miguel Torga, escritor português de grande importância literária do século XX,  mostra em sua obra “Bichos”  toda a sua influência do Campo, da natureza, de forma que o simbolismo traduz toda perplexidade diante da natureza humana ligada as sensações transcendentais, revela ainda a relação de criador e criatura com pano de fundo o conflito da liberdade , sendo menos ingênuo quanto parece.
    Os contos da obra :Vicente, Madalena e Jesus  remontam um panorama religioso e, no fundo bíblico, de modo que a terra, a água e o parto são elementos repletos de significados dentro das narrativas. Torga codifica a relação do criador e a criatura, marcando aspectos da liberdade e do autoritarismo das personagens. Há também  intencionalidade do autor em analogar e fomentar a inversão de papéis dada aos animais e aos humanos( característica patente das fábulas), a fim de planificar as perspectivas e visões entre os seres.
    Em “Vicente”, a ligação do criador e criatura é mais direta, tornando-se nítido o denegatório do corvo (criatura) as demandas do Deus( criador). A consciência  do desejo à liberdade faz da personagem o herói do verdadeiro livre arbítrio .
    Já em “Madalena”, a relação atravessas duas vertentes: sociedade opressora e mulher; mãe e filho. No primeiro plano, a sociedade oprimi a figura da mulher, tirando- lhe todo direito à liberdade e às escolhas, fazendo-se dela sua criação. No segundo plano, a mãe ( Madalena) movida pelo seu individualismo e pela concepção conservadora da sociedade  impele o nascimento do seu filho ( criatura). O espaço do conto revela sinais da narrativa, como a umidade do Tenário, dando a idéia de fertilidade e o clima da seca em Serra Negra, comparando ao ventre seco.
    Com o conto “ Jesus” a relação é sublime entre o criador e criatura. A personagem é uma criança que através de um beijo, dá a vida ao pintassilgo. Seu ato é divinal, cheio de heroísmo puro, seu beijo é o símbolo da fertilidade, mostrando uma atitude transcendental.
    Ambos os contos mostram-se ricos em significados para afetar o drama e explorar a relação criador versus criatura, trazendo não como simples idéias, mas ocupando um espaço imensurável para a descoberta do desfecho das narrativas.



Erica Dilá


Este texto é dedicado especialmente à  Jornalista, Professora e Escritora Vânia Cardoso Coelho.