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| foto: Daniel Queiroz |
Aquela porta amarela por muitas vezes tentei abri-la.
Não sei porque a pintei assim.
Talvez sua cor de ouro trouxesse a mim uma impressão de
mistério e desejo. Muitos objetos dourados causam esta sensação. Lembrei-me da
lâmpada de Aladim que já remete ao desejo, tanto de Possuí-la, quanto de ser
utilizada para realizar pedidos. Mas também causa mistério por ser um recurso
mágico, pois não dá para saber o que de fato será encontrado ao pedir .
Pois bem, voltando a porta, com o tempo comecei a ignorar
sua presença, pensei em diversos
artifícios para não tentar abri-la. Como dizem “Um vício só se cura com outro”,
então comecei a abrir outras portas para amenizar minha curiosidade, isto me
trouxe paz.
No escuro da noite o silêncio me revela que minha ansiedade
ainda existe e aquela porta devo abri-la para enfrentar minha covardia e também
minha curiosidade acumulada de muitos anos.
Me aproximei aos passos curtos e com ousadia em chegar ao
destino, abri. Abri e não havia nada ali. Abri e eu não estava lá.
