sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A porta

foto: Daniel Queiroz

Aquela porta amarela por muitas vezes tentei abri-la.
Não sei porque a pintei assim.
Talvez sua cor de ouro trouxesse a mim uma impressão de mistério e desejo. Muitos objetos dourados causam esta sensação. Lembrei-me da lâmpada de Aladim que já remete ao desejo, tanto de Possuí-la, quanto de ser utilizada para realizar pedidos. Mas também causa mistério por ser um recurso mágico, pois não dá para saber o que de fato será encontrado ao pedir .
Pois bem, voltando a porta, com o tempo comecei a ignorar sua  presença, pensei em diversos artifícios para não tentar abri-la. Como dizem “Um vício só se cura com outro”, então comecei a abrir outras portas para amenizar minha curiosidade, isto me trouxe paz.
No escuro da noite o silêncio me revela que minha ansiedade ainda existe e aquela porta devo abri-la para enfrentar minha covardia e também minha curiosidade acumulada de muitos anos.
Me aproximei aos passos curtos e com ousadia em chegar ao destino, abri. Abri e não havia nada ali. Abri e eu não estava lá.